26 de jul. de 2010

Aí sim

Fomos surpreendidos novamente!

Anos atrás, foi produzido um material na USP pra ser usado como subsídio pra cursinhos e escolas públicas. Estava eu hoje procurando um material legal pra revisão, e cai sobre meu colo esse material, o qual usarei a partir dessa quarta com os segundos anos. Entao, #ficaadica :

Pra encontrar o que será usado, faça uma busca no 4shared, com as seguintes palavras chave:

" apostila concurso vestibular geografia módulo 05 "

O primeiro arquivo encontrado na busca deve ser baixado, usaremos entre as páginas 12 e 41. É necessário que se imprima esse material pra ser usado!

24 de jul. de 2010

Medianos

O blog ficou meio parado por conta do recesso escolar, que veio depois de um período tenso de conselhos de classe (não tenso pelos conselhos, mas pela quantidade de coisas a fazer).

Eu teria muito a comentar sobre meu grande desapontamento em relação a algumas turmas. Mas não estou com vontade de gastar tempo e energia com isso. Só vou relatar que a principal palavra dita em relação aos alunos nos conselhos foi: "DESMOTIVADOS". "Ah, ele tirou nota baixa porque está desmotivado", "ah, fulana desistiu porque está desmotivada", e tal. Desmotivados? Eu estou desmotivada a pensar em qualquer atividade criativa pra eles (não) fazerem, de verdade. Esse semestre tive o maior trabalho de pesquisar coisas pra eles aprenderem DE VERDADE, mas eles ficam com preguiça e simplesmente não fazem. A culpa é minha? Como devo motivá-los? Fiz um blog, essa é a resposta...

Outra questão que se colocou foi que eles tem um débito ou um atraso de 10 anos, ou coisa que o valha. De fato, há turmas com alunos fraquíssimos em conteúdo, mas que não vão pra frente porque o cara bagunceiro é mais querido da turma (que ri dele, e não pra ele), e ficar fofocando sobre qualquer coisa é mais importante do que o conteúdo. Batemos aí então na questão da disciplina, já que é mais fácil ser bagunceiro, eventualmente levar alguma advertência, do que ser responsável e saber fazer as coisas direito e em dia.

E aí vem a reflexão que dá nome a essa postagem: a grande massa prefere ser um aluno nota 5, que passa em cima da linha, não é ruim, e não é bom: é um cara mediano. E o mediano na escola vai ser o cara mediano a vida toda. Vai ter o emprego mediano porque vai ser aquele que apareceu, e não vai pra altos cargos porque dá trabalho. A garota mediana vai ter um marido mediano, porque pensar em estar com alguém melhor também dá trabalho. Todos também vão morar em casas medianas, porque se tem um teto, pra que um teto melhor?

Ainda tento entender de onde vem esse modismo de ser mediano (ou muitas das vezes ruins). Cadê o mundo corporativo, da competitividade, em que a seleção natural seleciona os melhores para o mercado de trabalho? Puxa vida, dá trabalho pra se preparar para ser o melhor. Ah, os melhores, que bom que lembramos deles!!! Os melhores, que são chamados de forma muito mal educada de nerds, vão ser os caras com maiores salários, e vão ser os patrões dos medianos, a quem vão tratar como lixo... e falando em lixo, quem é a massa de mão de obra que vai passar o resto da vida puxando rodo?? Pois é...

12 de jul. de 2010

Como elogiar xingando - parte 1

Algumas expressões estão aí pra provar o quanto o ser humano é falso e cruel, mesmo quando tenta ser simpático. Imagine a cena: você está se despedindo de um grupo, e alguém, na maior boa vontade, te olha com aquela cara de "queriiida", e diz: "tchau, amor, beijo no coração". Novamente as bestas do apocalipse caem sobre a cena, pra estrangular quem proferiu essa pérola. Explico porque: beijo em qualquer lugar externo é até bonitinho, tipo "beijo na testa", "beijo no tórax". Agora, beijo no coração só se deseja a alguém que você pretende matar a facadas. Até imagino, a pessoa pega a faca, abre teu peito, segura seu coração sangrando e batendo em uma das mãos, e o beija, como forma de símbolo de que conseguiu ceifá-lo na fonte da vida. O pior é que tem gente que acha bonito isso. Blergh!!!

8 de jul. de 2010

Qual é sua imagem?

Todo dia algum engraçadinho me pergunta, na escola, que tipo de música eu ouço. Pra simplificar a vida, falo que gosto de rock. Eu poderia especificar dizendo que são mais as bandas dos anos 70, um pouco de pop rock nacional, temas de musicais da Broadway e mpb, mas ficaria imenso e difícil de explicar. Quando digo a palavra ROCK, parece que as bestas do apocalipse entram no recinto, e me torno alguém louco e cruel, que só usa roupa preta, vai em cemitérios, gosta de caveiras e sai gritando por aí. Segundo eles, o que eu deveria escutar? Funk? Mas não o clássico funk de James Brown, mas aquele som sempre com a mesma batida, sem melodia e sem harmonia que foi criado nos morros cariocas e é reproduzido como um mantra nos "morros" paulistanos. Mantra, já ouviu falar? Vem da tradição religiosa oriental, são palavras que são repetidas infinitas vezes, e aos poucos vão entrando na alma da pessoa, geralmente são usadas para orações e técnicas de relaxamento. Peraí: uma música que é repetida infinitas vezes, mas com um som muito alto e distorcido, e com uma mensagem completamente errada (no sentido de sempre fazer apologia a coisas negativas)? Ah, não. Não mesmo. Deixa eu escutar meu Deep Purple em paz. Ok, vamos tentar novamente. Eu deveria escutar Black? Não, não tô falando da black music dos anos 70, mas de uma música pop dos Estador Unidos que é reproduzida de uma maneira terrível no Brasil. Já viu um clipe desse tipo de música na MTV? É um bando de pobre que conseguiu dinheiro e fica esbanjando com carrão e jóias gigantes. Mas na inclusão precária do meu ambiente de trabalho, só vejo jovens repetindo essas músicas e dançando passos estranhos, fazendo sinais de armas com as mãos. Desculpa se você faz isso, mas isso me dá nojo, de verdade. Sim, eu vou achar que você quer ser bandido também. Pagode? Não. Samba? Não. Sertanejo? Não, não e não. "Ahn, mas se você gosta de rock, você é emo?" Definitivamente não! Rock tem que ser preto e branco, nada de cores! E eu não gosto de caveiras. Deixei claro?

7 de jul. de 2010

Tempo

Nem parece que o tempo passou tão rápido, mas já atravessamos a metade do ano. Me lembro que ainda outro dia era a passagem de ano, que eu assisti de dentro de um ônibus, vindo pra casa. Pouco tempo depois viajava pra Curitiba (e mal sabia que implicações dessa viagem mudariam tanto minha vida), e na mesma semana escolhi minhas turmas de 2010: 8 sétimas, 4 segundos e 1 terceiro, 13 turmas pra ter sorte! Mal começaram as aulas e começou a greve, e no meio desta, um período extremamente tenso, do qual só saí viva por causa de amigos de verdade. Depois descida da estrada velha do mar, visitas ao metrô e à cptm, e conhecer muita gente nova. Chego a pensar que algumas pessoas sairam da minha vida pra dar espaço a novas amizades, mais bonitas e mais cheirosas, afinal, quem das pessoas que eu mais convivia em dezembro eu convivo hoje? Troquei de escola, o que implicou numa troca de alunos e de colegas, saí da igreja também, mas me sinto extremamente feliz com minhas escolhas, e hoje sei que não sinto saudades, porque somente evoluí. Aqueles amigos de verdade, ficaram. Os que eram figurantes, foram embora. O mais importante é que nunca deixei de ser protagonista.

1 de jul. de 2010

Desumilde

Suave na nave? De boa na lagoa? Firmeza na represa? Suave? So você mora em algum lugar longe dos dostritos mais ao sul da zona sul de São Paulo, certamente não deve ter ouvido essas expressões que querem dizer um simples tudo bem. Eu as ouço diariamente, fazem parte do dialeto do bairro, e consequentemente, da escola. Mas a expressão que mais me chamou a atenção nos últimos tempos foi "desumilde". Quem já pensou no contrário de humilde? Arrogante? Soberbo? Nenhuma palavra, porém, define mais o ato de não ter humildade com alguma coisa do que o desumilde. Essa postagem, no fundo, é continuação dos bolos e doces, e como que sirvo algo diariamente que pra mim é precioso, mas indiferente pras pessoas para quem sirvo, mas que em algum momento elas se dão conta da importância, mas já tarde demais. Eu já sou formada (e muito bem, aliás, mas isso não vem ao caso). Eu já tenho emprego, pago minhas contas. Os caras saem de suas casas, carregam peso, vão pra escola, fingem que estudam, e quando chega o dia da prova, começam a querer prova com consulta, prova em dupla, prova em casa pra mãe fazer. Se alguém precisa de alguém ali, são eles, que precisam dos professores, afinal, não sou eu quem está bancando o tênis Timberland (com o D do final mudo, por favor), ou o boné da Oakley deles, mas alguém passou o dia trabalhando pra suprir as necessidades básicas de alguém que usa a escola como simples ponto de encontro. Este, pra mim, é um dos significados de desumilde: não tem humildade pra assumir que não sabe, afinal, é melhor posar de mau aluno do que ser o nerd da sala (inclusive, já se sabe há muito tempo que quem estuda mais ganha mais no futuro). Qualquer ventilador da escola sabe mais de Geografia do que alguns alunos, porque o ventilador tem a humildade de ficar lá parado fazendo o trabalho dele que é ventar. Mas os alunos não tem a humildade de ouvir alguém mais velho e mais preparado. E não me venham dizer que o que se aprende não tem nada a ver com a vida, pois a cada dia as contextualizações são mais diretas e concretas. Mas daí aparecem novamente os desumildes, que não se comovem nem com temas sociais como reforma agrária. Parece que não conhecem a própria história. Cabe lembrar que boa parte dos bairros que moram foram ocupações recentes, frutos de loteadores populares, casas feitas pelos próprios moradores, além de violência, muita violência. Quem é mais pobre, a criança de acampamento ou o desumilde?