4 de out. de 2010

11 (ou a continuação do post abaixo)

11 - Cheirinho de chulé

Crianças, salgadinho, por mais que você goste de comer isopor, não é legal. Primeiro porque te faz mal, é artificial demais. E outra: aquilo fede. E me sinto mal quando você sobe do intervalo com as mãos cheirando a salgadinho, e você suja suas roupas ou seus cadernos ou o meu avental com aquilo. E pirulito é nojento. Você já comeu alguma comida azul em casa? Não, né, então é porque comidas azuis não existem. Fora que aquele açúcar fica fermentando em você por horas...

29 de set. de 2010

10 coisas que eu não suporto em meus alunos

Esse é um post polêmico. Não cito nomes, nem salas, nem lugares, só fatos que me atormentam. Sem mais, a lista:


1 - Meu lugar é meu!
Odeio quando chego na sala e tem algum espertinho espalhado na minha mesa, sentado na cadeirinha verde, girando de um lado pro outro. Se tem várias cadeiras quebradas, não foram os professores que ficaram brincando de girar.

2 - Eu mexo nas suas coisas?
Minha caixinha de giz, meus diários, minha garrafa de água, meu caderno, minhas canetas, são de uso EXCLUSIVO meu. Ou seja, se você for até a minha mesa e pegar qualquer um deles, eu não ficarei feliz (a não ser, claro, se eu pedir). Se você esqueceu sua caneta, não é problema meu, e se você quer ter água fresquinha, não vai ser da minha garrafinha que você vai beber. Pensa 520 pessoas bebendo da mesma garrafa... #nojinho. Uma só basta.

3 - Pra dentro!
Quando o sinal toca e há a troca de aula, quem sai das salas são só os professores. Não é nada legal ficar pegando aluno pelo colarinho em outra sala pra jogar pra dentro da sala. Sua fofoca com a menina da sala do lado não é importante, entra pra sala!

4 - Eu só tô vendo a hora!!!
Eu sempre vejo alguém olhando fixamente pra tela de um celular. Quando eu solicito guardar, a criança vira e diz que tá vendo a hora. Ah é?? Então que horas são?? Nunca teve uma alma que conseguisse responder isso, claro, porque estavam vendo a lista de músicas, as fotos do final de semana, vendo um vídeo de morte, atualizado o twitter... se quiser saber o horário, me pergunte. Mas não me deixe te ver com um aparelho ligado. Aliás, você não vai querer me ouvir se você estiver com um fone de ouvido na orelha. Eu costumo pegar o aparelho, e não costumo devolver.

5 - Caiu um caminhão de Gillete!
Meninos: eu sei que você é adolescente e que o sonho de sua vida é ser um cara barbudo. Mas deixar aquele bigodinho ralo no meio do seu rosto liso não é legal, de verdade. Raspa isso, e você vai me agradecer daqui a 10 anos quando olhar suas fotos de hoje, já que não vai se achar ridículo.

6 - ENTENDIIIIIIII
Eu explico algo, e pergunto se a pessoa entendeu, daí vem o engraçadinho e responde "entendeu". Quem entendeu? Seu vizinho entendeu? A porta da sala entendeu? O ventilador entendeu??? Até onde eu sei, o "entendeu" é 3a pessoa do singular, ou seja, qualquer outra pessoa que não seja a que está respondendo. Custa falar direito e responder "entendi"??? Vai doer falar certo?

7 - Só se come aquilo que se põe na mesa
É altamente deselegante ver um bando de gente sentada em cima de carteiras. Tanta cadeira, mas não, tem que sentar em cima das mesas. Depois o tampo cai, fica complicado pra carregar, daí a escola é ruim, mas destruir as carteiras é facinho.

8 - Eu preciso respiraaaar!!!
Se eu pedir pra ir mostrar o caderno e a apostila na minha mesa pode ir, mas não precisa se apoiar sobre mim tentando respirar o ar que eu estou respirando. Preciso de espaço. E se forem 5 ou 6 fazendo a mesma coisa, precisarei de ar, e de luz, pois farão sombra no que estou olhando. Também não acho legal você pendurar em mim quando estou na lousa. Aliás, já falei que não é pra mexer nas minhas coisas? Isso inclui ficar rabiscando a lousa.

9 - Professora, olha o fulano!
Se tem alguém te provocando, se vira. Não vai ser meu olhar de secar pimenteira que vai fazer o pentelho parar de te atormentar.

10 - Maria Luiza o c*****, meu nome é professora!
Ficou claro pelo título? Não é pra me chamar pelo meu nome, ok?

26 de jul. de 2010

Aí sim

Fomos surpreendidos novamente!

Anos atrás, foi produzido um material na USP pra ser usado como subsídio pra cursinhos e escolas públicas. Estava eu hoje procurando um material legal pra revisão, e cai sobre meu colo esse material, o qual usarei a partir dessa quarta com os segundos anos. Entao, #ficaadica :

Pra encontrar o que será usado, faça uma busca no 4shared, com as seguintes palavras chave:

" apostila concurso vestibular geografia módulo 05 "

O primeiro arquivo encontrado na busca deve ser baixado, usaremos entre as páginas 12 e 41. É necessário que se imprima esse material pra ser usado!

24 de jul. de 2010

Medianos

O blog ficou meio parado por conta do recesso escolar, que veio depois de um período tenso de conselhos de classe (não tenso pelos conselhos, mas pela quantidade de coisas a fazer).

Eu teria muito a comentar sobre meu grande desapontamento em relação a algumas turmas. Mas não estou com vontade de gastar tempo e energia com isso. Só vou relatar que a principal palavra dita em relação aos alunos nos conselhos foi: "DESMOTIVADOS". "Ah, ele tirou nota baixa porque está desmotivado", "ah, fulana desistiu porque está desmotivada", e tal. Desmotivados? Eu estou desmotivada a pensar em qualquer atividade criativa pra eles (não) fazerem, de verdade. Esse semestre tive o maior trabalho de pesquisar coisas pra eles aprenderem DE VERDADE, mas eles ficam com preguiça e simplesmente não fazem. A culpa é minha? Como devo motivá-los? Fiz um blog, essa é a resposta...

Outra questão que se colocou foi que eles tem um débito ou um atraso de 10 anos, ou coisa que o valha. De fato, há turmas com alunos fraquíssimos em conteúdo, mas que não vão pra frente porque o cara bagunceiro é mais querido da turma (que ri dele, e não pra ele), e ficar fofocando sobre qualquer coisa é mais importante do que o conteúdo. Batemos aí então na questão da disciplina, já que é mais fácil ser bagunceiro, eventualmente levar alguma advertência, do que ser responsável e saber fazer as coisas direito e em dia.

E aí vem a reflexão que dá nome a essa postagem: a grande massa prefere ser um aluno nota 5, que passa em cima da linha, não é ruim, e não é bom: é um cara mediano. E o mediano na escola vai ser o cara mediano a vida toda. Vai ter o emprego mediano porque vai ser aquele que apareceu, e não vai pra altos cargos porque dá trabalho. A garota mediana vai ter um marido mediano, porque pensar em estar com alguém melhor também dá trabalho. Todos também vão morar em casas medianas, porque se tem um teto, pra que um teto melhor?

Ainda tento entender de onde vem esse modismo de ser mediano (ou muitas das vezes ruins). Cadê o mundo corporativo, da competitividade, em que a seleção natural seleciona os melhores para o mercado de trabalho? Puxa vida, dá trabalho pra se preparar para ser o melhor. Ah, os melhores, que bom que lembramos deles!!! Os melhores, que são chamados de forma muito mal educada de nerds, vão ser os caras com maiores salários, e vão ser os patrões dos medianos, a quem vão tratar como lixo... e falando em lixo, quem é a massa de mão de obra que vai passar o resto da vida puxando rodo?? Pois é...

12 de jul. de 2010

Como elogiar xingando - parte 1

Algumas expressões estão aí pra provar o quanto o ser humano é falso e cruel, mesmo quando tenta ser simpático. Imagine a cena: você está se despedindo de um grupo, e alguém, na maior boa vontade, te olha com aquela cara de "queriiida", e diz: "tchau, amor, beijo no coração". Novamente as bestas do apocalipse caem sobre a cena, pra estrangular quem proferiu essa pérola. Explico porque: beijo em qualquer lugar externo é até bonitinho, tipo "beijo na testa", "beijo no tórax". Agora, beijo no coração só se deseja a alguém que você pretende matar a facadas. Até imagino, a pessoa pega a faca, abre teu peito, segura seu coração sangrando e batendo em uma das mãos, e o beija, como forma de símbolo de que conseguiu ceifá-lo na fonte da vida. O pior é que tem gente que acha bonito isso. Blergh!!!

8 de jul. de 2010

Qual é sua imagem?

Todo dia algum engraçadinho me pergunta, na escola, que tipo de música eu ouço. Pra simplificar a vida, falo que gosto de rock. Eu poderia especificar dizendo que são mais as bandas dos anos 70, um pouco de pop rock nacional, temas de musicais da Broadway e mpb, mas ficaria imenso e difícil de explicar. Quando digo a palavra ROCK, parece que as bestas do apocalipse entram no recinto, e me torno alguém louco e cruel, que só usa roupa preta, vai em cemitérios, gosta de caveiras e sai gritando por aí. Segundo eles, o que eu deveria escutar? Funk? Mas não o clássico funk de James Brown, mas aquele som sempre com a mesma batida, sem melodia e sem harmonia que foi criado nos morros cariocas e é reproduzido como um mantra nos "morros" paulistanos. Mantra, já ouviu falar? Vem da tradição religiosa oriental, são palavras que são repetidas infinitas vezes, e aos poucos vão entrando na alma da pessoa, geralmente são usadas para orações e técnicas de relaxamento. Peraí: uma música que é repetida infinitas vezes, mas com um som muito alto e distorcido, e com uma mensagem completamente errada (no sentido de sempre fazer apologia a coisas negativas)? Ah, não. Não mesmo. Deixa eu escutar meu Deep Purple em paz. Ok, vamos tentar novamente. Eu deveria escutar Black? Não, não tô falando da black music dos anos 70, mas de uma música pop dos Estador Unidos que é reproduzida de uma maneira terrível no Brasil. Já viu um clipe desse tipo de música na MTV? É um bando de pobre que conseguiu dinheiro e fica esbanjando com carrão e jóias gigantes. Mas na inclusão precária do meu ambiente de trabalho, só vejo jovens repetindo essas músicas e dançando passos estranhos, fazendo sinais de armas com as mãos. Desculpa se você faz isso, mas isso me dá nojo, de verdade. Sim, eu vou achar que você quer ser bandido também. Pagode? Não. Samba? Não. Sertanejo? Não, não e não. "Ahn, mas se você gosta de rock, você é emo?" Definitivamente não! Rock tem que ser preto e branco, nada de cores! E eu não gosto de caveiras. Deixei claro?

7 de jul. de 2010

Tempo

Nem parece que o tempo passou tão rápido, mas já atravessamos a metade do ano. Me lembro que ainda outro dia era a passagem de ano, que eu assisti de dentro de um ônibus, vindo pra casa. Pouco tempo depois viajava pra Curitiba (e mal sabia que implicações dessa viagem mudariam tanto minha vida), e na mesma semana escolhi minhas turmas de 2010: 8 sétimas, 4 segundos e 1 terceiro, 13 turmas pra ter sorte! Mal começaram as aulas e começou a greve, e no meio desta, um período extremamente tenso, do qual só saí viva por causa de amigos de verdade. Depois descida da estrada velha do mar, visitas ao metrô e à cptm, e conhecer muita gente nova. Chego a pensar que algumas pessoas sairam da minha vida pra dar espaço a novas amizades, mais bonitas e mais cheirosas, afinal, quem das pessoas que eu mais convivia em dezembro eu convivo hoje? Troquei de escola, o que implicou numa troca de alunos e de colegas, saí da igreja também, mas me sinto extremamente feliz com minhas escolhas, e hoje sei que não sinto saudades, porque somente evoluí. Aqueles amigos de verdade, ficaram. Os que eram figurantes, foram embora. O mais importante é que nunca deixei de ser protagonista.

1 de jul. de 2010

Desumilde

Suave na nave? De boa na lagoa? Firmeza na represa? Suave? So você mora em algum lugar longe dos dostritos mais ao sul da zona sul de São Paulo, certamente não deve ter ouvido essas expressões que querem dizer um simples tudo bem. Eu as ouço diariamente, fazem parte do dialeto do bairro, e consequentemente, da escola. Mas a expressão que mais me chamou a atenção nos últimos tempos foi "desumilde". Quem já pensou no contrário de humilde? Arrogante? Soberbo? Nenhuma palavra, porém, define mais o ato de não ter humildade com alguma coisa do que o desumilde. Essa postagem, no fundo, é continuação dos bolos e doces, e como que sirvo algo diariamente que pra mim é precioso, mas indiferente pras pessoas para quem sirvo, mas que em algum momento elas se dão conta da importância, mas já tarde demais. Eu já sou formada (e muito bem, aliás, mas isso não vem ao caso). Eu já tenho emprego, pago minhas contas. Os caras saem de suas casas, carregam peso, vão pra escola, fingem que estudam, e quando chega o dia da prova, começam a querer prova com consulta, prova em dupla, prova em casa pra mãe fazer. Se alguém precisa de alguém ali, são eles, que precisam dos professores, afinal, não sou eu quem está bancando o tênis Timberland (com o D do final mudo, por favor), ou o boné da Oakley deles, mas alguém passou o dia trabalhando pra suprir as necessidades básicas de alguém que usa a escola como simples ponto de encontro. Este, pra mim, é um dos significados de desumilde: não tem humildade pra assumir que não sabe, afinal, é melhor posar de mau aluno do que ser o nerd da sala (inclusive, já se sabe há muito tempo que quem estuda mais ganha mais no futuro). Qualquer ventilador da escola sabe mais de Geografia do que alguns alunos, porque o ventilador tem a humildade de ficar lá parado fazendo o trabalho dele que é ventar. Mas os alunos não tem a humildade de ouvir alguém mais velho e mais preparado. E não me venham dizer que o que se aprende não tem nada a ver com a vida, pois a cada dia as contextualizações são mais diretas e concretas. Mas daí aparecem novamente os desumildes, que não se comovem nem com temas sociais como reforma agrária. Parece que não conhecem a própria história. Cabe lembrar que boa parte dos bairros que moram foram ocupações recentes, frutos de loteadores populares, casas feitas pelos próprios moradores, além de violência, muita violência. Quem é mais pobre, a criança de acampamento ou o desumilde?

30 de jun. de 2010

Sobre bolos e doces

Mais um dia que poderia ter sido comum na escola, mas esse foi um daqueles que pagam todos os dias tristes e ruins. Essa quarta foi aniversário de nossa diretora, e como eu não trabalho na noite de terça, não fiquei sabendo que havia a programação de uma festa surpresa no período da noite. Com o anoitecer, aos poucos a festa foi se delineando, os alunos aos poucos trazendo de casa bolos, doces, salgados e refrigerantes. Mas eu não tinha dimensão do quanto estavam trazendo. Havia algumas provas marcadas, mas a ordem de prova foi se dissolvendo ao ver que os esforços estavam voltadas para a comemoração da vida. Na espera, fiquei conversando com o pessoal de uma turma. É bom ouvir também o que se passa com aqueles que estou formando, penso que esses momentos de troca são tão importantes do que as grandes movimentações teóricas do dia a dia (eu deveria ter escrito isso com hífen?). Descemos para o pátio, e ficamos protegendo a mesa de um ataque em massa (como aquele bolo no aniviersário da cidade). Aliás, a super mesa mega recheada, havia cores e sabores para todos os lados. Depois das homenagens e parabéns, levamos a comida para a cozinha, para repartir e distribuir aos alunos. Sem brigas, sem pressa, todos foram servidos, de maneira que sobrou muita comida. Nesse momento, com minhas mãos que sempre ficam sujas de giz, sujas com açúcar, refleti sobre o que eu faço todos os dias na escola: estou ali para servir, como uma garçonete incansável. Sirvo aquilo que passei anos buscando pelo mundo (incluindo aí cursinho, faculdade...), mas nem sempre aqueles que estão ali para serem "alimentados" de Geografia se interessam pelo meu prato principal. Grande parte nem sabe que estão ali para serem alimentados de conhecimento, outros querem se alimentar de um ouvido amigo, de um adulto que trata bem. E eu ali, servindo, acabo beliscando uma coxinha ou um brigadeiro, acabo comendo também, e percebendo que ali todos se alimentam de um conhecimento só, que é a vida.

29 de jun. de 2010

Comente!!!

Sinto falta de comentários! Curtiram o material? Dúvidas? QUestionamentos impossíveis? Escreva!!!! ;)

28 de jun. de 2010

Agricultura no Nordeste

Ué, o Nordeste não é seco? #comofas?

Encontrei uma vídeo aula bem legal sobre o desenvolvimento nordestino, que passa pelos cultivos na região. Está em 2 partes, mas é a primeira que nos interessa AGORA.

www.youtube.com/watch?v=BihGeHTjyjM

Propagandas úteis

Continuando a procurar material sobre os temas da prova, encontrei alguns comerciais de uma empresa de câmaras de pneus, são curtos e explicam com muita facilidade alguns termos! Interessante também a visão comercial em relação aos movimentos sociais.

Propaganda 1

Propaganda 2

Propaganda 3

Propaganda 4

Propaganda 5

Tudo isso porque a minha webcam quebrou

Num certo dia, resolvi que poderia usar a twitcam pra revisar a matéria da prova dos segundos anos. Tudo estava teoricamente certo, visto que nunca uso os recursos de vídeo do meu computador, e assim seria fácil fazer algo interativo, já que a twitcam pode receber comentários durante a transmissão. Combinei dia e hora, sábado, 15h. Liguei o computador, com meia hora de antecedência. Estava com os livros, caderno de anotações, tudo certo pra começar. Até que liguei e... nada! "Esse dispositivo só fica disponível com o uso de câmera". Eu olhava pro monitor e dizia: "A câmera está aqui, juro!!!". Passei horas procurando como fazer funcionar, reinstalando drivers e mais um monte de coisas, mas simplesmente o placar do jogo foi câmera 1 X 0 Maria.
Isso coincide muito com um dos temas, que é transição do meio natural ao meio técnico científico informacional. Penso que se eu tivesse tido essa ideia nos anos 80, eu seria uma lunática ou uma personagem de filme de ficção científica, já que vídeo chamadas eram impraticáveis e caríssimas.
E já que não consegui usar o meio novo, vim usar o blog, que era tão conhecido no começo da década de 2000.
E de brinde, um texto que explica a transição entre os meios :)

mundogeografico.sites.uol.com.br/geral08.htm